domingo, 27 de setembro de 2009

Luxúria

E se forte for o desejo
Deixa que te entregue o beijo
Que se afogue na saliva
A paixão ardente dos lábios
Que seja enlouquecida

Suas trepidas lembranças
Devaneiam entre razão e loucura
No calor do abraço apertado
Não quer escolha, quer impulso
Paixão não pondera, é isso

Deixe te molhar o suor do corpo febril
Que seja dependente, viciante, doentio
Como o gozo se espalhando entorpecente
Que a vontade esteja presente
E não se cale, renegue ou canse

Que da vida aproveitam-se as emoções
Amargas, doces, puras, sujas, mas intensas
Instintivo como um animal no cio
Obedecendo suas entranhas
Não pára para pensar, mas age com fogo
Inebriante, convidativo e convincente

Nada que manda em minha cabeça
Manda mais que os desejos que tenho
Que o beijo seja sempre perfeito
E que sendo assim seja eterno

Que a vontade seja sempre maior
E que seja sempre saciada
Que o desejo sendo incontrolável
Se intensifique e assuma o comando
Para que não pensemos, simplesmente façamos
Que os olhares sempre se voltem com cobiça

Sejam libidinosos os atos
E esquecidos os preconceitos
E se de carne nos compomos
Que nos consumam o prazer e só
Para que não pequemos e sintamo-nos pequenos
Sejamos escravos de nós mesmos

Nossas bocas, mãos, cabelos
O corpo totalmente singular
Tinja o quintal, o quarto, a sala
Com seus gemidos e suspiros
Deixa o perfume do amor transpirar

Fechemos os olhos e amemos
E deixemos os segredos ali
Jogados no chão, grudados nas paredes
Como as marcas no corpo
Ficam as lembranças nos cômodos
Aprimora-se a sensual arte de se libertar

Um comentário:

Augusto disse...

A própria. Fortes e fracos, acho que é disso que se trata.