Eu jamais entendera de melhor forma que hoje o “Solitário andar por entre a gente”. Carros voando baixo nas avenidas e vias expressas, pessoas apressadas mais correndo que andando pelas ruas. Tempo fechado e ar frio. Um turbilhão de coisas na cabeça, um turbilhão de flashes e cores e vultos e prédios e nada. Nada!
Aquela multidão de tudo que é a Sé era simplesmente nada para mim.
“Solitário andar por entre a gente” refletia eu, enquanto me perdia em pensamentos. Impossível ficar sozinho no meio desse mundaréu de tudo que é São Paulo inteira, e eu ainda assim estava sozinha ali, no olho do furacão.
Entre sorrisos disfarçados, acenar de cabeças e mãos. Os semi-conhecidos provenientes da rotina se cumprimentavam, eu não fugia à regra. Já se tornaram rostos familiares, conversas casuais sobre jogos de futebol, morte de personalidades famosas, trânsito, chuva, calor e ainda assim, eu estava sozinha.
Talvez não fosse nem dor, nem era tristeza também. Somente ausência.
Ausência do calor, do abraço sincero, do olhar correspondido à mesma intensidade. Falta da fragrância tão bem conhecida, daqueles 3 cm de distância, da cor dos olhos castanhos mais vibrantes que já me olharam. Era falta da vibração, porque hoje esses olhos tornaram-se frios e o pulsar do meu coração congelou com eles.
Não era tristeza mesmo, talvez fosse mais que isso.
Um caminhar sob a noite enegrecida de Lua Nova, sem nenhuma estrela no céu. Um silêncio sombrio digno de um sepulcro. Na minha vida não havia mudança, não havia emoção, não havia paixão. Quase que o sentimento de morte, mas era simplesmente solidão.
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Um comentário:
Guarde um tempo pra você,e procure ai dentro o que está procurando do lado de fora. Temos que viver no nosso mundo e não podemos depender de outros mundos e outras pessoas, não totalmente !
Abraços ! daqueles de verdade !
Até !
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