sexta-feira, 3 de julho de 2009

Avidez

ezSexta-feira.
- É... mais um fim de semana!
Era assim que eu pensava quando acordava toda sexta-feira. Poderia ser um dia chuvoso, frio, daqueles bem feios, daqueles que não sentimos a mínima necessidade de levantar da cama. Mas eu levantava com bom humor às 6 da manhã, só porque eu amo sexta-feira.
Enquanto escovava os dentes, recapitulava os acontecimentos da semana. Segunda, nada de bom aconteceu, terça uma coisa inesperada aconteceu. Imagine você que eu mandei uma mensagem sem expectativa de resposta e a pessoa respondeu. Foi no mínimo reconfortante. Quarta-feira, jogo do Timão – o jogo no Pacaembu foi bem melhor, mas o importante é o título, Tri Campeão da Copa do Brasil. Impagável o rostinho da minha filha sorridente, pulando e gritando “É Campeão!” uma maloqueira. Eu ria comigo mesma. Quinta-feira, uma ligação inesperada totalmente descabida. Sabe quando você tem a sensação de que aquela pessoa tinha algo a dizer e por algum motivo não disse, disfarçando sua ligação com um assunto qualquer. Não queimei meus neurônios tentando justificar porque ele me ligara naquele dia, àquele horário, sendo que teria a Sexta-feira inteira para tratar daquele assunto, não era nada urgente e eu sentia a tensão em sua voz. Eu não entendi, ele não quis explicar e eu também não perguntei, tentando manter minha voz despreocupada.
Meu coração pulsava erraticamente em meu peito, eu podia escutar perfeitamente seu pulsar e senti-lo forçar-se contra minhas costelas. Uma tensão completamente indiscreta. Como um simples soar do meu celular podia me deixar daquela maneira? Era inadmissível, mas era real.
Ouvir sua voz pesarosa também me trazia pesar. Meu instinto era abraçá-lo, acolhendo-o junto ao peito, tomando para mim suas angústias, porque eu sabia que poderia conviver com elas, poderia suportar minhas dores, mas não poderia suportar vê-lo sofrer.
Depois que desligamos, sem tratar nada de relevante, precisei de mais uns 5 minutos para recompor minha respiração resfolegada. Claramente, ele arrependera-se de ligar.
Eu ainda podia sentir minha pulsação mais evidente, acho que até um cachorro do lado de fora da minha casa, do outro lado da rua, poderia escutar meu coração bater fervorosamente. Eu já tinha me acostumado com esse tipo de reação.
Sempre fora assim!
Ele me ligava, meu coração traidor se comportava dessa maneira. E quando ele estava perto de mim, sentia meu rosto enrubescer, pois tinha certeza que ele podia sentir as vibrações do meu pulsar, tanto quanto eu. Tamanho era seu fervor.
Comecei a encarar meu rosto no espelho, depois de escovar os dentes. Tudo aquilo era tão estranho, mas eu não queria pensar nisso.
Não queria pensar em coisas que eu não podia resolver. Hoje é sexta-feira e a única coisa que eu queria no momento era, calçar minhas botas e sair para a rua. Contemplar aquele imenso céu acinzentado e respirar o ar fresco da manhã, da chuva recém-terminada.

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