quinta-feira, 18 de junho de 2009

O mar que sai dos olhos

Sentada no último banco no canto esquerdo do ônibus chorava ela, comedida.
As lágrimas escorriam com pressa molhando seu rosto, e mais tarde o pescoço. Notavam-se apenas os olhos se apertarem e o morder de lábios para conter a emoção.
Era um chorar tão sentindo aquele que ela chorava. E não havia nada mais bonito do que derramar lágrimas sinceras de dor, especialmente quando era dor de amor.
Não há no mundo uma dor mais certa do que essa. Que te torne doente da mente e te aleijem os pensamentos. Nada mais pode se pensar que não na dor dilacerando o peito deixado a respiração entrecortada.
Um pesar infinito e tão dolorido era aquele que ela sentia. Um soluçar sem ruídos e tão franco quanto parecia. Não era possível deixar de admirá-la, nem mesmo sentir pena, de tão bonita que era aquela tristeza profunda.
As casas e prédios passavam do lado de fora da janela do ônibus e nenhuma diferença fazia a ela, pois tão perdida estava em seus pensamentos. Lembranças agudas de um passado tão antigo incomodavam-na até hoje. Produziam certo ódio em seu peito, mas naquele momento seu coração estava esgotado, nada podia seu ódio contra tamanha intensidade daquela apaixonada tristeza.
Encontrava-se entregue. Queria sentir em cada pedaço de seu corpo aquela amargura descontrolada. Parara de chorar por alguns instantes, mas tinha ainda os olhos mareados, o rosto molhado e sentia frio nas partes em que lhe escorreram lágrimas no pescoço.
Recobrou o juízo de seu trajeto, perto do ponto onde desceu. Desconcertada andou o curto caminho até sua casa certa de que haveria abrigo de seus pensamentos tagarelando com quem lá estivesse.
Em casa, ninguém. Isso lhe provocou um desespero enlouquecido. Suas lágrimas voltaram a escorrer indistintas. A calma voltara a lhe sedar. Suas feições tornaram-se novamente uma paisagem tranquila onde as únicas manifestações de vidas se aferiam ao escorrer das lágrimas de dor apaixonadamente linda.

2 comentários:

BlackSete disse...

Abraçãoooooooooo

André Ucci disse...

dor, egoista que é, não quer nem saber.
talves infantil e mimada...
talves poética e fingida...
talves ignorante...
fato é q eh bonita, e se acha, egocentrica...

ee dor.. vo te apresenta o cinto qqr dia desses.. rs