terça-feira, 14 de abril de 2009

Mudanças

Sempre tive medo de grandes mudanças. Grandes mudanças mudam demais a vida.
Mas de repente, não havia tanto perigo assim. Quando eu olhava em seus olhos e sentia seu abraço, todo o resto não importava.
Eram caixas empilhadas, a casa ficando vazia e eu olhava os móveis e paredes e lembrava de quanta coisa passara ali. As alegrias infinitas, as tristezas doídas, mas sobretudo a saudade. O cheiro daquele quarto não era só dele, era meu, era das nossas lembranças. A cama que foi minha pela primeira vez. Nossa primeira vez.
Aquela casa guardava muitas lembranças e nós a estávamos deixando, e deixando que o novo mudasse a história.
A nova rua estreita, a frente da nova casa branca. As mudanças vinham por aí e novamente, era eu quem estava a seu lado. Caixas pela garagem e corredores da nova casa. Em meus pensamentos o entusiasmo tomando conta. Era tudo claro e confortável, como o futuro devia ser.
O cheiro da madeira nova dos novos móveis me fazendo espirrar e aos poucos a insegurança se fora pra tão longe que nem me lembro do gosto. Éramos perfeitamente felizes, um ao lado do outro, arrumando seu quarto tipicamente masculino e sofisticado. Tinha a cara dele e os detalhes ficavam por minha conta.
O cheiro era de quarto novo, mas logo mais à noite, daríamos um jeito nisso.
Por enquanto dobrávamos roupas, desfazendo-nos do que não interessava mais. Íamos deixando o passado da porta pra fora. Pra fora das nossas novas vidas.
As mudanças não eram de todo ruins. Elas faziam com que eu aprendesse a olhar pra frente. E eu via um horizonte lindo pela janela, enquanto ele se deitava ao meu lado, na nova cama que comprara pensando em nós.

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