terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Metas

A arte de rir da vida acho que já desaprendi faz muito tempo.
Não por trauma, por dissabor, por desamor, mas por falta de tudo isso.
Eu blasfemo demais quando estou com ódio.
Exatamente, ódio.
Eu sinto ódio sim, por inúmeras razões e ultimamente tenho sentido mais ódio que nada.
Nesses últimos tempos acostumei-me a ter nada no peito e agora venho carregando o ódio como companhia, ao invés da famosa solidão “mendigando um sorriso”. Deixei o cinismo virar meu cartão de visitas e deixei outras preocupações ocuparem minha cabeça.
Pretexto para esquecer da vida eu arranjo de monte e afogo toda minha decepção num delicioso copo de Green Label com pouco gelo, pra descer quente pela garganta, arrepiando o corpo, acalentando o ódio e estancando as feridas por dentro.
Realmente, o alcoolismo é o vício dos solitários e enfadonhos. Talvez eu seja um misto disso, mas ainda não sou alcoólatra, não tenho idade pra isso.
Ainda tenho planos que me fincam ao chão e não me deixam descambar de vez. Ainda preciso ver minha filha crescer, fazê-la totalmente feliz, ter certeza de que ela pode seguir sem mim e que eu já lhe dei as melhores condições financeiras possíveis para lhe assegurar qualidade de vida.
Quando tudo isso estiver feito, aí sim poderei me libertar das amarras e morrer. Mas morrer de velhice ou de doença sem precedentes não está sob cogitação.
Quero mais é sentir as dores da cirrose violenta e imperativa, ou da doce e alucinógena overdose. Como uma boa aquariana que sou, nada melhor que partir junto a boemia que eu tanto amo com no máximo 40 anos para vingar minha existência e honrar meu espírito atemporal.
Não haverá amarras para me prender ao chão para todo o sempre, que cultiva a alienação da vida moderna. Haverá apenas, asas para me libertar da falta de propósito.

Um comentário:

BlackSete disse...

Ainda quero uma conversa a respeito disso !! Coisa feia !!

Abraçooo