Ao acordar, nem sinto mais a preguiça costumeira, nem reclamo da garoa caindo suavemente às 6:25 da manhã. Não sinto o cansaço da rotina, não sinto nada de ruim.
O encosto que trazia no ombro e no coração, mandei embora sem aviso prévio e devo admitir que a sensação de alívio é intensa.
Sinto-me livre para cometer minhas sandices mais queridas. Sinto-me merecedora de uma vida sem receios. Eu quero pular de cabeça nas aventuras sonhadas e, mais do que isso, eu preciso mergulhar.
Quero enlouquecer de amor e viver a felicidade de me apaixonar pela “milhonésima” vez na vida. Eu quero o sorriso dele ao acordar e os beijos respeitosos que ele me dá.
Quero me encontrar no seu abraço porque dentro dele esqueço do resto. Eu quero que ele veja dentro dos meus olhos o amor que sinto, para que eu não precise dizer.
Eu precisava redescobrir a felicidade dentro de mim e ao lado dele fica difícil esconder, denuncia-me o sorriso estampando meu rosto.
Adorava vê-lo me mostrando suas músicas. Observar os mesmos gestos de suas mãos reproduzidos a cada batida grave que a música soava. Deliciava-me com o orgulho que ele sentia de si próprio quando via seu trabalho feito e a satisfação das pessoas ao redor.
Ele tinha a humildade mais bonita que já vira. Uma humildade pura, sem impressões de “coitadismo”. Eu adoro a maneira sutil que ele tem de se impor e da forma como ele se auto-afirma quase que sem intenção. Admiro sua autoconfiança. E gosto sobre tudo da maneira como ele me olha.
Ele havia acabado de gravar algumas cenas do clipe que produzia e no rosto a maquiagem colaborava com as expressões de cansaço.
- Como eu vou tirar isso? Você tem demaquilante? – disse ele num tom sarcástico.
- Tenho. É fácil tirar. Você passa um pouco no algodão e... Ah! Eu tiro pra você. – respondi enquanto dirigia o carro e íamos para a casa do Bruno.
No banheiro, ele se sentou no vaso enquanto eu me concentrei para não borrar ainda mais a sombra preta. Fiquei prestando atenção no que fazia até que ele me tirou dos meus pensamentos solitários.
- Você é bonita, né? – disse, com ênfase no “bonita”. Eu me divertia com a maneira como ele me elogiava, como ele fazia com que eu me sentisse única.
Então olhei dentro dos seus olhos pequenos e castanhos e sorri, sentindo meu rosto enrubescer suavemente.
Vê-lo reparando em mim, fez com que eu fizesse o mesmo. E não havia palavra para expressar o que eu sinto quando olho e vejo na minha frente, bem ali, parada me olhando a razão pela qual tenho sentido a vida mais suave ultimamente.
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