sexta-feira, 7 de agosto de 2009

3 cm

Às vezes eu sentia uma saudade súbita dele e ficava recordando seus olhos castanho-mel.
A minha vida poderia ser somente aqueles três centímetros de distância existente entre nossos rostos enquanto nos olhávamos. Somente aqueles três centímetros, enquanto podia sentir o seu cheiro e mergulhar profundamente em seu olhar.
Seus olhos tinham um delinear único, era levemente amendoado. Olhar marcante de olhos grandes. Um tom castanho dourado brilhava ao redor da íris preta. Seus olhos eram certamente os objetos no qual minha vida podia se limitar. Mas junto com eles vinha todo o resto, e ele era efetivamente a porta aberta me mantendo em contato com o meu passado, com tudo o que eu gostaria de esquecer.
Estar ao lado dele me fazia sentir como quem anda sobre uma corda bamba esticada entre dois edifícios consideravelmente altos. Onde de um lado, havia apoio e um verdejante campo florido e do outro, um abismo tão profundo quanto a imaginação pode supor.
Havia um conflito em mim onde uma parte me permitia ser inteiramente feliz ao lado dele, especialmente naqueles três centímetros, e a outra me impedia terminantemente.
Eram lembranças doídas de um passado triste e injusto que me davam as mãos assim que eu dava as mãos a ele. Uma parte de mim queria esquecer tudo de ruim, mas a outra se agarrava a isso, quase que querendo me forçar a me agarrar ao meu orgulho baseando-o em minhas feridas.
Só que, naqueles três centímetros, nada disso existia. Eram somente as batidas do meu coração, a repetição compassada de inspiro e suspiro, seus olhos nos meus. O silêncio compreendendo tudo o que estivesse ao nosso redor e seus olhos castanhos de ouro fundido me aquecendo por dentro.

Um comentário:

BlackSete disse...

Em certos momentos deveriamos cair e bater a cabeça, esquecendo de todo o passado ruim, assim talvez pudessemos nos apaixonar novamente pela pessoa que nos faz falta, e dessa vez sem as feridas do passado pra nos atormentar.

Talvez de novo não desse certo, mas nunca mais colocariamos a culpa no passado. Não até a próxima vez, essa talvez só depois do próximo tombo.

( Beijos Thami Tudo de bom para uma menina que é Tudo de bom .. huahauhauahua .. Até ! )