quarta-feira, 3 de junho de 2009

Entre Cartas e Cartas

"Meu amor,
Por favor, não fique tão deprimido. Vamos nos casar em breve e então essas noites solitárias estarão terminadas para sempre. Mas até lá, estou amando, amando cada minúsculo minuto de dia e de cada noite. Talvez você não entenda isso, mas às vezes, quando sinto mais falta de você, é mais difícil escrever - e você sempre sabe quando eu me esforço - só uma dor tremenda, e eu não consigo contar. Se estivéssemos juntos, você sentiria como é grande - você é tão doce quando está melancólico. Adoro sua ternura triste quando eu o machuco. Esse é um dos motivos pelos quais nunca me arrependi de nossas brigas, e elas incomodam tanto. Aquelas rusginhas tão, tão adoráveis, quando eu sempre tento ao máximo fazer você me beijar e esquecer.
Scott, não há nada neste mundo todo que eu não queira a não ser você, e seu precioso amor. As coisas materiais não são nada. Eu apenas odiaria viver uma existência sórdida, incolor, porque muito depressa você passaria a me amar menos e menos, e eu faria qualquer coisa - qualquer coisa - para manter o seu coração. Não quero viver, quero primeiro amar e eventualmente viver. Porque não consegue sentir que eu o estou esperando, que irei ter com você, meu amado, quando estiver pronto? Nunca, jamais pense nas coisas que não pode me dar. Você me confiou o mais querido dos corações, e isso é um bocado mais do que qualquer outra pessoa em todo este mundo jamais fez.
Como é que pode pensar deliberadamente numa vida sem mim? Se por acaso você morresse, ah, meu querido, meu querido Scott, seria como ficar cega. Eu sei que também morreria, não teria o menor propósito viver. Eu seria só um enfeite, bonitinho. Você não acha que fui feita para você? Sinto como se você tivesse me mandado fazer - e eu tivesse sido entregue - para ser usada. Quero que você me use, como um berloque na corrente do relógio ou um ramalhete na lapela, para o mundo. E então, quando estivermos a sós, quero ajudar, saber que você não consegue fazer nada sem mim. Eu amo você.
Zelda"
(Carta de Zelda para Scott Fitzgerald )

Quando li a frase "Não quero viver, quero primeiro amar e eventualmente viver" me identifiquei profundamente, então busquei o texto completo.
Para minha surpresa, me identifiquei não só com essa frase em questão, mas com muitas outras. Poderia eu, ter escrito essa carta e ter entregue ao Meu Amor, com todo o meu coração e talvez uma certa ironia tipicamente minha.
Se ele me entendesse melhor, nós brigaríamos menos e nos divertiríamos mais - o mesmo vale para o inverso embora eu tente ser mais compreensiva - mas também não posso me queixar do que vivemos hoje. Tem tudo sido mágico! Eu vejo os esforços que ele faz para deixar tudo correr perfeitamente. As vezes em que ele respira fundo para não brigarmos. As sonoras gargalhadas que deixa ecoar - e que ele sabe que eu adoro - quando contamos fatos engraçados
Quando rolamos na cama, entre os lençois, tudo se encaixa e se combina perfeitamente. De um modo geral nos entendemos muito bem. Exceto quando minhas ironias entram em ação, conforme mencionei anteriormente. Ele pensa que eu digo as coisas para atingí-lo, muitas vezes, quando não passa de uma brincadeira.
Minha personalidade é um pouco traquina. Não faço por mal. É minha natureza. E sabendo que eu o irrito, por que ainda assim apronto dessas? Porque no fundo sei que gosto de provocá-lo.
Ele tinha algo de inquietante para mim, quando estava de mau humor e isso me divertia suavemente " Esse é um dos motivos pelos quais nunca me arrependi de nossas brigas, e elas incomodam tanto.".
Jamais poderia queixar-me de coisa alguma, visto ser meu o mais delicioso dos corações e o mais apaixonado dos homens. Por vezes, paro para admirar suas feições em momentos variados. Ele sabe ser tão amável quando quer. E eu me rendia tão facilmente aos seus gracejos.
Num mergulho profundo sob seus olhos, esquecia-me de mim, como se não houvesse separação entre mim e seu olhar. Entre meu eu e o seu. Perdia todos os sentidos e pensamentos, quando estava imersa em seus olhos. Era tanto e tanta beleza. Era meu, como sempre fora, desde sempre.
"Não há nada neste mundo todo que eu não queira a não ser você, e seu precioso amor" e não há nada no mundo que possa fazer de mim uma pessoa mais completa. Tê-lo ao meu lado, me bastava. Como andar sob o Sol num dia de Inverno, como me sujar na areia da praia numa tarde de Verão. Simples e completo. Concreto e perfeito.

Um comentário:

BlackSete disse...

Aguardando Continuação ...

Abraço