Minha tristeza era tão profunda que chegava ser tangível. Eu podia tocar pesarosa, cada centímetro de sua existência em mim. Pesava preguiçosa sobre meu peito, ocupava minha cabeça por completo.
Eu ficava revirando meu cérebro à procura de algo que me curasse profundamente e, no entanto, eu só achava lacunas vazias me preenchendo. Nada daquilo fazia sentido.
Eu me forçava a querer esquecê-lo. Esquecer tudo o que já tivéssemos vivido até então. Tanto as coisas ótimas quanto as pavorosas. Eu queria simplesmente não sentir.
Sentia meu rosto empalidecer ainda mais, quando considerava os fatos.
Nós estávamos distantes um do outro, eu sofria cada segundo sem sua presença. As lembranças que circulavam meus sonhos e pesadelos não me deixavam em paz um momento se quer.
Poderia sair, estar rodeada de amigos, rir, me divertir, que ele estaria constantemente em minha mente. Não havia distração que fosse superior ao instinto de desejá-lo.
Eu queria suas mãos grandes segurando meu rosto e fazendo com que eu o olhasse profundamente. Queria seus lábios nos meus, deixando que seu cheiro tomasse meus pulmões.
Eu queria ganhar sua presença de presente de aniversário. Queria ele presente o tempo todo.
O dia estava bonito hoje. Claro, alegre, tipicamente característico do verão. Eu estaria feliz se não fosse pela tristeza pesarosa.
Ela era uma companhia tão constante que eu esquecera o que era sentir a felicidade completa. Eu via as pessoas rindo à minha volta e não conseguia compreender de onde vinha tanta felicidade.
Os casais felizes e apaixonados que eu invejava. As pessoas que se sentiam completas juntas ou até mesmo sozinhas. Eu não. Há muito esquecera o que é ser feliz sem ele.
Sem a companhia de seu cheiro singular, seus cílios compridos sobre o olhar que me acompanhava por onde quer que eu fosse. Sua alegria comedida em me ver. O sorriso que eu tanto admirava, sempre aberto ao fitar meus olhos.
Eu me lembraria de todos os detalhes de seu corpo, de todas as pintinhas, até as mais microscópicas ao redor dos olhos. A sobrancelha grossa e escura.
Ele era perfeito. Nem em meus melhores sonhos conseguiria reproduzi-lo com fidelidade. Somente o cheiro eu jamais confundiria.
Era o mesmo cheiro madeirado da minha tristeza.

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