terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Até as últimas conseqüências

Eu podia sentir o ódio tingindo suas palavras, mas nada delas me amedrontava. Eu não queria recuar.
Era certo que ele estava magoado, pronto para atacar as pedras de suas mãos em mim, mas eu sabia que ele não faria. Não fez! Existiam mil impasses na história, mas o amor que ele tinha por mim era maior do que a vontade de me magoar.
Eu não fora justa com ele, cometi erros, me arrependi e gostaria muito de olhar em seus olhos e pedir perdão porque eu poderia conviver com o fato de não tê-lo mais para mim, mas não poderia viver sem ter a certeza de que ele ainda me ama.
Ele ama, seus olhos gritavam isso para mim. Sentia sua dor agonizando dentro dele, em cada palavra atravessada que me respondia, ele sabia ser rude quando queria, mas transpirava em seu suor o orgulho, se não fosse grande o bastante, ele se renderia.
Eu sei que hoje ele irá buscar distração, que me magoará inevitavelmente, mas sei também que quem ama realmente perdoa - como dizem por aí - eu sei esquecer. Tenho habilidade em repelir tudo o que não me faz bem, inclusive as lembranças pavorosas.
Eu podia duvidar de tudo no mundo, mas de uma coisa eu tinha certeza: nós seremos felizes juntos! Não sem pesares, não sem o tempo punindo severamente, mas seremos.
Eu não tenho pressa, e isso é mérito dele, pois me fez crer que jamais deixara de me amar. Eu sempre fora para ele diferente de qualquer outra, sempre fora a única para ele, e isso vai perdurar carregando as consqüências cabíveis.
Não tinha medo de nada, seu amor me reunia as forças. Não o tinha perto de meu corpo, mas estava em meu coração, assim como eu estava no dele, reavivando em cada tentativa de me esquecer. Em cada rosto novo que tocasse, em cada outra boca que beijasse, eu estaria presente.
Nunca pôde deter minha presença iminente, assim como eu nunca pude ignorar seus efeitos sobre mim. Estávamos aprisionados um ao outro. E eu estava condenada a fazê-lo feliz.
Essa era minha senteça, nem que eu tivesse que viver cem anos, eu o faria feliz. Nem que tivesse que sofrer por isso, minhas lágrimas pagariam seu preço. Meu destino era fazê-lo feliz, mais capaz do que qualquer um.
Hoje estou aqui com meu penar, adoecendo de amor, lutando contra o impulso de procurá-lo. Sei que ele precisa de seu tempo e eu não posso desrespeitar isso.
E também o que representariam todo esse tempo e minhas dores, depois que tudo acabasse?
Nada. Cada sofrimento me fará mais forte para investir na busca de sua felicidade.
Meu desejo era faminto de esperanças, e eu o alimentava. Tudo era muito certo para mim. Eu poderia sofrer o quanto fosse, não renegarei, só quero a parte que me cabe.
Não vou negar que sou culpada, também não posso recuar agora, fora longe demais pra sufocar o amor novamente. Aprendi a ser paciente, aprendia a esperar. O tempo me provou que tudo tem seu lugar, o meu é ao lado dele. Estou disposta a aguardar meu tempo de ocupá-lo novamente, mas não sem meu penar.

Seu rosto branco e firme habitava meus sonhos. Os olhos lívidos me encaravam incrédulos, havia desejo demais neles. Eu queria me agarrar a seu corpo e fazê-lo sucumbir ao instinto de simplesmente amar. Não queria correr o risco de perdê-lo novamente, mas em algum canto de mim nada disso importava. Eu sabia que ele era meu, assim como eu era sua e de mais ninguém!

3 comentários:

paradigmas universal disse...

acho que você, leva sempre as coisas para o lado afetivo.

você tem parentes, pai e mãe?

paradigmas universal disse...

VOCÊ TEM MSN ?


CONVERSAR COM VOCê É UMA EXPERIENCIA BOA ...

thamis disse...

"Existiam mil impasses na história, mas o amor que ele tinha por mim era maior do que a vontade de me magoar."

Lute por isso...a sua vida precisa de um grande amor, que lhe pague toda a dedicação e honestidade que você já provou ter!

(Bibinha)