Havia sempre uma multidão que obedecia a mesma direção sentido às saídas do metrô e era impressionante como existiam pessoas atravessando transversalmente as passagens em relação à multidão.
Eu não tinha muita paciência com pessoas que caminhavam lerdamente na minha frente, muito menos com aquelas que não se davam ao luxo de olhar para os lados antes de sair andando deliberadamente no sentido contrário ao tráfego de pedestres.
Naturalmente naquela manhã, acordara de mau humor, talvez porque o céu amanhecia sob uma espessa camada de nuvens que ameaçava meus planos para o final de semana.
Por sorte, na fila do ônibus, encontrei com alguns conhecidos que trabalhavam na mesma rua que eu. No ônibus ocupamos nossos assentos e nos dispersamos, eu mergulhei novamente no meu livro preferido, precisava terminá-lo, pois tinha planos de começar a edição dois na próxima semana e terminá-la até sexta, quando sairia a terceira edição e que eu certamente comprarei.
Fiquei os trinta minutos do trajeto sucumbida em minha imaginação, só percebi que estávamos próximos ao ponto em que descemos, quando a Sandra chamou minha atenção. A Sandra era uma mulher bem mais velha, de cabelos grisalhos. Era alta, usava óculos e tinha um corpo troncudo. Sempre usava roupas casuais que não eram nada femininas.
Fiquei os trinta minutos do trajeto sucumbida em minha imaginação, só percebi que estávamos próximos ao ponto em que descemos, quando a Sandra chamou minha atenção. A Sandra era uma mulher bem mais velha, de cabelos grisalhos. Era alta, usava óculos e tinha um corpo troncudo. Sempre usava roupas casuais que não eram nada femininas.
Acomodei apressadamente meu livro na bolsa, marcando cuidadosamente a página em que parei a leitura, cutuquei o Diogo discretamente para que ele acordasse e não ficasse constrangido. Então descemos. Eu, Sandra e o ele.
Diogo devia ser poucos anos mais velho que eu. Era menos branco que eu, de olhos esverdeados, estatura normal e estética corpórea normal, no geral, era bastante simpático. Uma companhia agradável.
Nós normalmente cumpríamos o percurso em 10 minutos, mas nesta manhã foram 17, pois caminhávamos conversando animadamente sobre os planos para o final de semana e especulávamos o que faríamos se ganhássemos na Megasena ou no Big Brother. O tempo passara e eu não percebia, pelo menos o meu mau humor acabara. O dia começava a melhorar e o Sol já se atrevia entre as nuvens, agora mais claras. Me despedi do pessoal e entrei no prédio onde trabalhava.
O dia seguiu indiferente. Muitas ligações, poucas irritações. Eu sentava ao lado da janela que possuía persianas, cor pastel, entreabertas. Dava para inspecionar o céu de lá de dentro e acompanhar suas mudanças. Esperava que Deus pudesse ser bonzinho e deixar que o dia continuasse alegremente claro.
Finalmente, minhas horas úteis estavam cumpridas, meu final de semana começava naquele momento. Pensei em todo o meu humor da manhã e dei graças por ter passado. Afinal, hoje sendo sexta-feira, não há humor que deva ser abalado, pelo menos o meu eu não permitiria mais.

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