sexta-feira, 30 de abril de 2010

Numa Noite Qualquer a Vida Muda! (Agosto 2009)

Costumeiramente controlo meus impulsos, desejos e pensamentos. Uma tarefa árdua, confesso, mas mantém minha mente ocupada. Procuro viver cada minuto de êxtase com a maior atenção possível, tendo em vista que nunca sei quando será o próximo.
Desde que me deparei com os últimos ocorridos, me designei a obedecer minhas tarefas diárias e somente isso. Levantar cedo, trabalhar, voltar para casa. Ficar com a família, mimar minha filha e aqueles que eu amo. Simples assim.
Mas quando nos acostumamos com a situação e nos conformamos com tudo, vem a vida e nos surpreende, como um dia de tórrido verão. Aquele céu azul lindo, o Sol escaldante dando a certeza de uma bela tarde na praia, de repente vem uma nuvenzinha, acompanhada de outra e mais outra culminando numa deliciosa chuva de gotas espessas e refrescantes. Lá se fora o dia de Sol deixando no lugar um leve arrepio de frescor no corpo.
Assim fazia comigo, minha vida. Quando aceito os dias chuvosos, o destino teima em me mandar um feixe de luz. E gato escaldado que sou, logo começo a desconfiar.
Numa dessas noites frias de inverno, debaixo das minhas cobertas quentinhas e completamente abandonada em casa, meu celular toca e de dentro de mim instala-se uma preguiça sem precedentes. Só de pensar em sair do quentinho e pisar no chão gelado dava dor na comodidade.
Levantei me arrastando sobre as pernas, totalmente derrotada. “Ligação restrita” pensei em não atender, mas já que já estava de pé... atendi.
- Alô! – resmunguei num tom atônito.
- É a loira mais linda do mundo? – disse a voz animada.
Reconheci imediatamente a voz em um discreto tom animado, preguiçosamente rouca sugerindo um tom de conforto. Combinava estranhamente com meu humor.
- Depende do ponto de vista! – respondi sentindo meu rosto enrubescer.
- Dependendo do ponto de vista é ainda mais linda! – ele dizia num tom sorridente, enquanto eu sentia uma pequena felicidade passeando pelo meu peito.
Era tão estranho receber elogios de uma pessoa diferente depois de tanto tempo. Aliás, receber um elogio sincero era estranho. Não conseguia me lembrar em que momento eu havia mudado tanto. Eu deixara de ser aquela pessoa vibrante que contaminava as pessoas com sorrisos e olhos entusiasmadamente brilhantes. Deixei espaço para uma pessoa sem vida ocupar o meu sorriso. Eu não era mais eu mesma há muito e isso me entristecia ainda mais.
Deixando minha inércia de lado, comecei a prestar atenção no que dizia aquela voz calorosa do outro lado. Tentei me animar deixando que a alegria pinicasse meu ouvido. Sem perceber já estava rindo com ele. Sem surpresa nenhuma, quando ouvi um carro parando em frente a minha casa, tinha certeza que era ele.
Conversamos sobre infinitos assuntos, deixando escaparem gargalhadas guturais. Era tão fácil me sentir confortável e espontânea ao lado dele. Nossa amizade era algo que simplesmente fluía de forma natural.
Depois de criar o hábito de vê-lo quase semprem, aceitando as migalhas de suas boas aç alguabei me acostumando tambmpo. do pelo peito.
e abandonada em casa meu celular toca , havia desenvolvido a irritante mania de pensar nele constantemente.
Não era justo - ou digno, talvez - pensar tanto numa mesma pessoa. Isso já acontecera comigo muitas vezes, mas dessa vez era diferente. Sentia que o simples fato de estar a seu lado me completava e sobrepujava qualquer sentimento ou pensamento ruim.
Minha cabeça estava cheia dele. Era o sorriso dele me fazendo sorrir, a voz dele me confortando e o olhar dele me admirando. Um olhar marcante que há muito não via na minha direção.
Era transparente a admiração e o afeto que ele sentia por mim e que eu sentia igualmente. Suspiros... uma deliciosa calmaria se instalara dentro de mim. Era de suspiro que me mantinha ultimamente ao recordar o tempo que passávamos juntos, era de ansiedade que se alimentava meu estômago nos momentos sem ele.

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