Aflita – palavra que melhor me definia no momento. Sabia que não era nada desesperador, que em breve o teria novamente em meus braços. Mas o fato de ter que ficar tão longe dele era sim um bicho de sete cabeças.
Todas as manhãs quando acordo para trabalhar, a primeira coisa que faço é dar-lhe um beijo nas costas e afundar meu rosto contra sua pele inspirando profundamente, incrível como a felicidade contamina meu corpo a media em que seu cheiro vai ocupando meus pulmões.Pensar que durante 3 longos dias terei que encarar sua falta é um problema imenso.
Mas a hora chegara, eu o escutava caminhando de um lado para o outro do quarto, juntando as coisas e se preparando para sair enquanto eu rolava na cama me forçando a acreditar que isso não aconteceria. Hora de encarar os fatos. Abri os olhos, respirei fundo e levantei da cama.
- Bom, estou indo. Vou chamar o táxi. – Disse ele sem ânimo algum.
- Espera um pouco... é só o tempo de me trocar. – Respondi escovando os dentes.
Ele me olhou profundamente e assentiu. Desceu para me esperar. Terminei de me trocar rapidamente e desci em seguida.
No táxi, minhas mãos constantemente entrelaçadas nas deles. Com meu dedo indicador acariciava as costas de sua mão. Eu tentava me conter. Sabia que era uma viagem de negócios e que, por ele, não nos separaríamos, mas não havia o que pudesse ser feito.
Eu tinha que aceitar. Chegamos em Congonhas, mais rápido do que eu podia imaginar. Ao descer do carro percebi que o céu ainda estava escuro, um tom de azul-petróleo. Não havia amanhecido. O ar estava pesado e frio, uma típica manhã de outono. O clima combinava estranhamente com os meus sentimentos.
Andamos de mãos dadas pelo saguão do aeroporto, fizemos o check in, despachamos a bagagem e tomamos café da manhã. Ele com seu costumeiro suco de laranja e eu com meu capuccino.
Eu adorava olhar em seus olhos e por alguns segundos achei que pudesse dizer “Até mais” sem me abalar muito. Mas então a hora do embarque chegou e eu subi com ele até o setor de embarque.
- Então... tchau. Eu volto logo.
- Ta bom! – respondi, com as lágrimas brotando nos olhos.
- Ei, eu não vou embora pra sempre! Não fica assim. – tirou um lenço do bolso e me deu para que secasse minhas lágrimas.
Sem pensar já estava secando uma que escorria no cantinho do olho com as mãos.
- Pra que te dei o lenço se você está limpando com a mão?
- Eu não quero que você vá embora. Vai demorar muito. – levantava o lenço em direção aos olhos e sentia minha boca trêmula enquanto pronunciava as palavras, não queria chorar. Era inadmissível.
Ele me abraçou, eu lhe dei um beijo dizendo que sentiria muitas saudades. Então era hora de partir, não havia mais como adiar.
Dei-lhe um último abraço apertado, afagando meu rosto em seu pescoço para sentir seu cheiro uma última vez antes da partida. Entreolhamo-nos e ele acenou se afastando.
Continuei parada observando ele ir embora, meu coração diminuía no ritmo de seus passos. Quando não pude mais vê-lo também fui embora. Desci as escadas rolantes olhando tudo ao redor, as pessoas bem vestidas, as várias lanchonetes. O ambiente era bastante claro e o piso do chão era quadriculado, parecia um tabuleiro de xadrez, me dei conta que sempre passo na frente desse aeroporto, mas nunca havia entrado nele.
Entrei numa livraria, folheei muitos livros de suspense, de romance policial, olhei as capas de alguns de auto-ajuda, mas não me interessei por nada. Queria um livro meloso de tão romântico com uma história de amor bem profunda. Queria distrair o sentimento de vazio que ele me deixou no momento em que partiu.
Fiquei mais de uma hora perdida na livraria, quando recobrei o juízo lembrei que ainda tinha que trabalhar.
Chegando na Washington Luis, atravessei a avenida pela passarela. Sob mim o trânsito se instalava, normalidades da cidade de São Paulo. O dia estava ainda mais frio e acinzentado e não havia nada de bonito nisso. Talvez porque agora estivesse sem ele.
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