Ele viajaria e eu ficaria aqui.
Tive que tomar uma atitude antes que ele partisse. Era uma impulso irracional mas não importava, eu precisava vê-lo. Precisava sentir seu gosto, tocar seu rosto. Não ia suportar mais uma semana sem colocar os olhos nele, ainda mais sabendo que ele estaria tão distante.
Simplesmente fui, depois do telefonema. Peguei o carro e saí. Eu não sabia o que ele pensaria. Não sabia como ele me receberia, nem se ele faria isso, e nem queria saber. Eu ia vê-lo.
Cheguei em sua casa, a mesma casa de sempre, por enquanto. Com as paredes de tijolinhos, a pequena porta de madeira ao lado do portão automático. Toquei o interfone e uma voz rouquinha me atendeu, era sua avó que me atendeu super receptiva, como sempre. Abriu a porta para mim, eu a cumprimentei, dei um beijo em minha filha que passava o fim de semana com a família dele.
Entrei pela garagem e subi as escadas, observando os mesmo azulejos de um tom meio cinza. Abri a porta de madeira que dava acesso à casa.
Cumprimentei o resto da família, escutei o barulho do chuveiro e deduzi que ele estava no banho.
Entrei no quarto de sua irmã, ficamos batendo papo até que eu o vi, pelo canto do olho, passar por trás de mim, em direção a seu quarto. Esperei alguns minutos para que ele se vestisse e bati à porta, ele abriu, prontamente.
Quando o vi percebi que havia cortado o cabelo, deixando a parte da frente um pouco maior que o resto, no seu penteado arrepiado, do jeito que eu adorava. Ele estava sentando na cadeira de frente pra cama, cheia de mudas de roupa.
- E então? - Ele me perguntou com a voz grave e tranquila.
Eu o puxei pelo braço e lhe pedi um abraço. Ele me deu. Enquanto o abraçava, sentia seu corpo quente contra o meu, seu cheiro de banho recém tomado e a textura de sua barba macia. Ele colocava suas mãos contra minhas costas, e eu fazia o mesmo, aproximando-o de mim. Sentia seu coração disparar.
Afastei meu rosto de seu pescoço, observei seu rosto e encostei meus lábios nos dele, um toque intenso e breve, então me afastei e o olhei nos olhos. Ele se sentou, eu sustentei o olhar.
- Por que você me olha assim? - Perguntou ele mais uma vez com um semblante indignado, talvez.
Eu não disse nada, simplesmente me inclinei para ele, segurei seu rosto entre as minhas mão, senti meu coração disparar e lhe dei um beijo. Seu beijo era intenso e tranquilo, quase respeitoso. Estava cheio de um sentimento que não soube decifrar, mas era bom. Seus lábios doces e agradáveis. Seu beijo era perfeito, combinava exatamente com o meu. Era indecifrável, impossível exprimir o que eu sentia, mas sobre tudo era felicidade.
Eu jamais sentira tudo aquilo perto de outra pessoa. O coração aflito, pulsando no ritmo das asas de borboletas em pleno vôo, o estômago se retorcendo, a respiração ofegante, eu o queria pra mim e nada importava mais do que ver que ele sentia o mesmo.
Seu coração pulsava rápido e forte, suas lágrimas se acumulavam no canto dos olhos. Ele iria partir e não havia nada que eu pudesse fazer. Depois do beijo ele me perguntou por que eu fazia isso com ele.
- Você disse para que eu fizesse o que tenho vontade, lembra? - eu disse com um meio sorriso nos lábios - Além disso, faço isso porque você quer. Porque você deixa. - sussurrei em seu ouvido.
Nos abraçamos. Eu sentia mais que qualquer coisa, que tudo estava começando a se encaixar. Sentia que conseguira uma fissura na muralha, seria por ali que eu entraria.
Eu permanecia a observá-lo, entrando e saindo do quarto, juntando as coisas para a mala de viagem. Ele abriu a porta mais uma vez e olhou profundamente nos meus olhos:
- Você é muito linda, puta que pariu - falava com um tom de inconformidade, isso me divertiu, ele balançava a cabeça e eu sorri - eu não sei explicar. Toda vez que eu te vejo sinto um nó na garganta, não sei se você pode entender, acho que ninguém pode e também não quero - Ele se sentou ao meu lado na cama e eu o abracei.
Beijei seu pescoço, rocei meu nariz na sua orelha e sussurrei em seu ouvido:
- Eu amo você. Vou esperar que volte.
Não importava o que acontecera, ou aconteceria dali pra frente. O que me importava era que ele me amava e não fez nenhum esforço para esconder. Eu trocaria o mundo inteiro por ele, daria qualquer coisa pela sua felicidade.
Olhei o relógio, 15:07hs, ele sairia em breve, impressionante como as horas ao seu lado passavam depressa, os segundos escorriam pelos dedos e eu tentava agarrá-los sem muito sucesso. Eu o fitava profundamente enquanto ele me perguntava o que eu tanto olhava, não respondia, mas a verdade era que eu tentava absorver sua imagem ao máximo, como se isso pudesse fazer com que eu sentisse menos saudade depois.
Não fui até o aeroporto levá-lo. A despedida seria muito pior, seria muito pior vê-lo partir.
Então estava na hora, percebia sua relutância em se despedir, em ter que me deixar também. Simplesmente o abracei, dei outro beijo em seu pescoço, outro beijo em seus lábios, senti seu cheiro pela última vez.
- Boa viagem. Estarei esperando você voltar - disse num tom suave e seguro.
- Boas Férias. - respondeu ele sem emoção.
Partimos. Cada um com seu destino, cada um com sua lembrança, o pensamento era comum. Eu o amava, era urgente, mas eu esperaria.
Cheguei em casa com um sorriso resplandecente, o MSN fez barulho, na tela somente uma mensagem: "seu cheiro tá foda".
Sorri mais uma vez!
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Um comentário:
Os detalhes me deixam ansiosa para a próxima frase, para a próxima descrição.
É como se eu estivesse lá, e tomasse as mesmas decisões que você tomou!
Eu espero de coração que o seu amor não só volte da viagem para você, mas para seu coração e para sua felicidade...
Te amooo! Beijão xuxuiaaaa
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