A noite estava fria e nebulosa, como meus pensamentos. Meu desejo ansiava sangue e eu não conseguia reprimí-lo.
Ficava arquitetando em meus devaneios um plano que me levasse ao clímax da situação. Queria me livrar de tudo o que não me convém com minhas próprias mãos.
O vento soprava leviano meu pescoço, e os pêlos do meu braço se eriçavam, não pelo frio, mas pela excitação de ver seus olhos transpirando o desespero. Eu queria muito mais do que tirar sua vida. Eu queria seu medo, sua súplica pela vida medíocre.
Seria muito mais prazeroso sentir o pavor tomando conta de todas as células de seu corpo, uma ávida necessidade da morte começaria a pairar em seu rosto, e eu não lhe daria nada além do que o desejado. Aceitar sua morte lenta e dolorosa seria seu penar mais justo. Seria simples, como aceitar o sereno espesso que pairava sobre a noite escura.
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